:: Consultas de Neurologia, com ênfase nas áreas de Epilepsia e Distúrbios de Sono em adultos e crianças
:: Electroencefalograma (EEG) é um exame funcional que tem por finalidade observar a actividade eléctrica cerebral. O EEG está indicado em situações clínicas em que haja alterações da consciência, tanto súbitas e de curta duração como nas de instalação mais insidiosa e de duração mais prolongada.
O EEG pode ser realizado com o paciente desperto ou em sono, indicação que deverá ser dada pelo médico assistente do doente. Quando em sono o doente é orientado, entre outras coisas, para, na véspera do exame, dormir cerca de metade do tempo que dorme habitualmente a fim de se obter o registo durante o sono fisiológico. O EEG com prova de sono tem uma duração de uma hora e meia a duas horas. O EEG em vigília (rotina) dura cerca de uma hora ( tempos totais que incluem a colocação e retirada dos eléctrodos).
:: A Estimulação Luminosa Intermitente (ELI) é uma prova de estimulação que consiste em expor o doente a um foco de luz intermitente a frequências pre-programadas. A ELI é realizada rotineiramente em todos os EEGs.
:: EEG ambulatório (EEGamb) é o electroencefalograma realizado com registador ambulatório (portátil) que tem por finalidade gravar ininterruptamente durante várias horas – o padrão habitual é de 24 horas de registo, com 19 eléctrodos. O paciente é ligado ao registador e pode ir para a sua residência ou para o seu trabalho habitual. A preparação da cabeça pelo técnico é mais demorada uma vez que os eléctrodos são colocados um a um com uma cola apropriada. O doente pode e deve manter as actividades o mais próximo do habitual durante o(s) dia(s) de registo. Os eléctrodos são retirados no laboratório ao final do exame. Habitualmente o EEGamb é realizado em pacientes que já têm um EEG de rotina ou mesmo um EEG com prova de sono realizado previamente. O seu médico assistente saberá qual é o tipo de exame que está indicado no seu caso.
:: Estudo Poligráfico de Sono ou Polissonografia (PSG) é um registo especial em que se estuda a actividade eléctrica cerebral durante o sono e simultaneamente os sinais da respiração, dos batimentos cardíacos, da saturação do oxigênio entre outros necessários para estudar o sono do paciente. A PSG está indicada nos casos de suspeita de distúrbios do sono, tais como o síndroma da apneia obstrutiva do sono, o sindroma das pernas inquietas, a narcolepsia entre os mais importantes. Pode ser realizada ambulatórialmente, isto é, com registador portátil facilitando para o doente ir dormir em sua própria casa, ou na clínica em registador fixo e sob supervisão técnica e vigilância por video contínuo.
:: Teste de Latências Múltiplas de Sono (TLMS) é um tipo de estudo de sono bastante complexo em que se observa a facilidade com o doente adormece a cada duas horas em testes sucessivos realizados exclusivamente na clínica de diagnóstico. Registam-se canais electroencefalográficos , electrooculográficos e electromiográficos e extraem-se dados acerca das latências do sono. É um exame importante para o diagnóstico da narcolepsia.
:: Epilepsia é uma condição neurológica comum que ocorre em cerca de 0.5 a 1% da população em geral. A epilepsia é conhecida desde a antiguidade tendo sido descrita por Hipócrates há mais de 2000 anos atrás. O nome deriva do grego e significa ser possuído, ou ser tomado, agarrado. A epilepsia durante muitos séculos teve conotação com fenómenos sobrenaturais, ora ligados aos deuses, ora a demónios. Desde o final do século XIX que se definiu a crise epiléptica como uma descarga súbita, ocasional, excessiva e rápida de um grupo de células nervosas no cérebro. Por definição são necessarias duas ou mais crises epilépticas para fazer o diagnóstico de epilepsia.
:: Há diversos tipos de crises, algumas em que o doente não perde a consciência, outras em que perde a consciência mas não cai e outras ainda em que o doente perde a consciência e cai com contrações generalizadas pelo corpo. Uma crise epiléptica desde o seu início súbito até o fim dura de 10 até cerca de 90 segundos (1 minuto e meio). Quando acaba a crise o doente frequentemente não consegue se comunicar e/ou eventualmente mexer-se como antes de iniciar a crise. Mas há crises, como por exemplo as ausências, que são tão rápidas que podem passar desapercebidas das pessoas a volta do doente.
:: A epilepsia pode ser detectada no electroencefalograma, seja em vigília seja em sono. Em algumas pessoas detectam-se alterações entre as crises, alterações estas denominadas inter-críticas. Quando isso ocorre o diagnóstico de epilepsia é provável e deve ser feita correlação criteriosa com a clínica, pelo médico assistente. Quando se registam alterações durante uma crise epiléptica o diagnóstico de epilepsia é uma certeza.
Sabe-se que o homem leva 1/3 da sua vida a dormir, daí a impotância que adquire o sono nos seres humanos. Há diversas alterações do sono já bem estudadas. As principais, porque mais comuns, são as que se seguem.
:: Insómnia - É o distúrbio de sono mais prevalente em todo o mundo e consiste na dificuldade em iniciar o sono ou na manutenção do sono. Pode ocorrer logo no inicio do sono ou pode ocorrer após o inicio do sono quando a pessoa desperta e tem dificuldade em adormecer novamente. 80 a 90% dos casos têm na sua origem distúrbios de ansiedade generalizada, uso inadequado de drogas para dormir, entre outros. Habitualmente a insómnia não é indicação para realização de estudo poligráfico do sono, salva em raras situações. O seu médico assistente saberá orientá-lo em caso de insomnia.
:: Apneia do Sono - É a paragem da respiração durante o sono. Pode ocorrer em qualque pessoa e não é considerada uma anormalidade desde que tenha duração inferior a 10 segundos. A apneia do sono passa a ser considerada patológica quando ocorre com duração superior a 10 segundos e em grande número durante a noite. O estudo poligráfico do sono nocturno serve para se registar e calcular o nº de apneias que o paciente faz durante todo o sono, o que pode levar ao diagnóstico da sindroma da apneia do sono (SAS). Se seu(ua) companheiro(a) lhe diz que faz paragens respiratórias enquanto dorme procure seu médico para aconselhamento.
:: Sonambulismo - Ocorre mais frequentemente em crianças e consiste na ocorrência de comportamentos automáticos durante o sono profundo (nãoREM). O sonoambulismo não implica obrigatoriamente em andar ou sair da cama.
:: Terrores Nocturnos - Também ocorrem mais em crianças em sono profundo e consiste em a criança esguer-se subitamente na cama a chorar e a gritar com pupilas dilatadas e expressão de medo no rosto.
Tanto no sonambulismo como nos terrores nocturnos deve-se acalmar a criança com carinho e palavras amigas e normalmente o sono é retomado sem que haja lembrança para o evento na manhã seguinte.
:: Narcolepsia - É uma doença com incidência variável e com sintomatologia de evolução também muito variável. Consiste em aumento da sonolência diurna, crises súbitas de sono (ataques de sono) e presença de alucinações hipnagógicas. A narcolepsia é uma doença do sono em que há excesso de sono REM. O estudo poligráfico do sono pode sugerir o diagnóstico de narcolepsia quando há excesso de sono REM com latência encurtada de REM. O diagnóstico de certeza é feito através do Teste das latências múltiplas do sono. O seu médico assistente saberá orientá-lo caso necessite fazer este tipo de estudo de sono.
:: Síndrome das Pernas Inquietas - É um distúrbio frequente na população que inicia em adultos jovens e aumenta com a idade, caracterizado por sensações desagradáveis nas pernas ocorrem durante a imobilidade ( sentado ou deitado ) e são mais intensas ou só acontecem durante a noite. Tais sensações são acompanhadas pela necessidade imperiosa de mover as pernas, o que alivia temporàriamente a sensação desagradável. A intensidade das sensações é variável de uma pessoa afectada para outra, quando intensa leva a movimentos frequentes das pernas e à dificuldade em ficar sentado num cinema ou teatro, em iniciar e manter o sono. Algumas pessoas afectadas chegam a levantar-se da cama e andar, para aliviar as sensações, repetidas vezes, o que pode levar à insónia persistente e grave. Durante os períodos de sono, é frequente ocorrerem contracções rítmicas dos membros inferiores, denominados movimentos periódicos do sono. Há indícios de que a causa do S. das Pernas Inquieta é uma alteração na função de uma via ou circuito no cérebro que depende de uma substância chamada dopamina. Em estudos realizados em vários países, a frequência de pessoas afectadas variou entre 5 e 12% e numa parcela dessas pessoas os sintomas são intensos e interferem com a qualidade de vida pela alteração do sono. Existem critérios definidos para o diagnóstico e possibilidade de atenuar e mesmo suprimir os sintomas com medicamentos, aliviando as pessoas com sintomas intensos. Mas continua sendo um distúrbio pouco conhecido, inclusive entre parte da classe médica, e muitas pessoas não são diagnosticadas e tratadas.
